Força verde-amarela no front - Parte 1

Militares da Força Expedicionária Brasileira surpreenderam na Itália e foram homenageados até pelo inimigo 

Na campanha da Itália ou no litoral brasileiro, nossos militares foram colocados à prova. E foram aprovados com louvor. Em Montese, na Itália, três soldados mineiros enfrentaram 100 alemães para salvar 30 companheiros que seriam pegos de surpresa. No Rio, um tenente afundou um submarino nazista que, na véspera, havia naufragado um navio mercante britânico. No primeiro caso, o comandante alemão reconheceu a bravura dos pracinhas. No segundo, o piloto lançou uma boia para salvar os sobreviventes alemães.


Três grandes mineiros
QUEM: GERALDO BAETA DA CRUZ, ARLINDO LÚCIO DA SILVA E GERALDO RODRIGUES DE SOUZA

NASCIMENTO: ENTRE RIOS DE MINAS (MG), SÃO JOÃO DEL-REI (MG) E RIO PRETO (MG)

ONDE ATUARAM: MONTESE (ITÁLIA)

POR QUE SÃO HERÓIS? ENFRENTARAM 100 SOLDADOS ALEMÃES PARA PROTEGER 30 COMPANHEIROS BRASILEIROS

"Vou arrancar o bigode do Hitler para a senhora escovar o sapato." A brincadeira era parte de uma das muitas cartas enviadas à mãe pelo soldado Geraldo Baeta da Cruz, que saiu de Minas Gerais para lutar com o 11º Regimento de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira na Itália. As cartas não eram respondidas. Os irmãos não lhe contaram que a mãe, dona Sinhá, havia morrido um mês depois de sua partida ao ouvir uma vizinha dizer que "deu no rádio" que o navio que transportava os brasileiros tinha afundado. Dona Sinhá sofreu um derrame fulminante. A vizinha tinha se confundido, àquela altura o garoto estava bem. Geraldo morreria seis meses mais tarde em circunstâncias muito mais heroicas.
Geraldo Baeta e outros dois combatentes mineiros - Arlindo Lúcio da Silva, de São João del-Rei, e Geraldo Rodrigues de Souza, de Rio Preto - tornaram-se imortais em Montese, na Itália. No dia 14 de abril de 1945, a cidade foi palco de uma das mais duras batalhas em que a FEB se envolveu na luta contra as divisões alemãs que ocupavam o país.

O trio integrava uma patrulha com poucos soldados quando se viu frente a frente com uma forte companhia inimiga com mais de 100 militares. Os tedescos - como os alemães eram chamados pelos italianos - os intimaram à rendição. Eles se recusaram, e começou o fogo cruzado. Para preservar os companheiros, que seriam surpreendidos, os três mineiros continuaram combatendo "até o último cartucho", quando então foram mortos pelo inimigo. A atitude dos soldados salvou a vida de pelo menos 30 combatentes brasileiros, que, alertados pelos tiros, tiveram tempo de se proteger da coluna alemã.

O decreto que concedeu a medalha Sangue do Brasil de Combate de 1ª Classe a Arlindo descreve sua atuação no episódio: "No dia 14 de abril, no ataque a Montese, seu pelotão foi detido por violenta barragem de morteiros inimigos, enquanto uma metralhadora alemã hostilizava violentamente seu flanco esquerdo, obrigando os atacantes a se manterem colados ao solo. O soldado Arlindo, atirador das Forças Armadas, num gesto de grande bravura e desprendimento, levanta-se, localiza a resistência inimiga e sobre ela despeja seis carregadores de sua arma, obrigando-a a calar-se. Nessa ocasião, é morto por um franco-atirador inimigo".

Admirado com a coragem dos mineiros, o comandante germânico mandou enterrá-los em cova rasa, em vez de vala comum. E ordenou a colocação de uma placa nas sepulturas na qual se lia: Drei brasilianische helden ("três heróis brasileiros"). Depois do fim da guerra, os restos mortais de Cruz, Silva e Souza foram levados ao cemitério de Pistoia e, mais tarde, ao Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. "Tudo isso não pode cair no esquecimento das novas gerações", disse Natanaela Baeta Morais, irmã de Geraldo.



 

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