3 - A origem das suas festas preferidas

RÉVEILLON
Nem sempre 1º de janeiro foi o dia de ano novo.
Mesopotâmia, 2000 a.C.

Povos da Mesopotâmia celebravam o ano novo há cerca de 4 mil anos. Normalmente, a passagem era determinada pelas fases da lua ou pelas mudanças das estações. Não em 1º de janeiro, que só virou dia do ano novo em 1582, com a introdução do calendário gregoriano no Ocidente. Até então, o Réveillon era festejado em 23 de março, coincidindo com o início da primavera no hemisfério norte, época em que as novas safras são plantadas. Daí a ideia de "recomeço". Não por acaso, réveiller, em francês, quer dizer "acordar". No Brasil, o branco virou padrão por simbolizar luz e bondade. Mas os hábitos variam muito de país para país. Por exemplo, dinamarqueses sobem em cadeiras para pular à meia-noite (preparar-se para os desafios) e peruanos arrumam malas e dão uma volta no quarteirão (para realizar o sonho de viajar).

FINADOS
Europa, entre 1024 e 1033

A Igreja instituiu o dia de Finados no século 11. Mas na Antiguidade os mortos já eram homenageados em banquetes para pedir proteção para as colheitas. No catolicismo, a data é celebrada em 2 de novembro. Uma das mais populares festas acontece no México. O Dia das Caveiras é um sincretismo entre a festa católica e um rito indígena. Reza a tradição que, ao longo do dia, os mortos vêm visitar parentes e amigos.

DIVALI
Índia, 1000 a.C.

O "Festival das Luzes" é celebrado por 4 dias de outono na Índia. Hindus usam roupas novas, acendem lamparinas e soltam fogos de artifício para simbolizar a vitória do bem. Uma das histórias da origem do Divali (ou Diwali) são as bodas dos deuses Vishnu e Lakshmi, que levam prosperidade às colheitas.

CARNAVAL
Há 3 mil anos a maior de todas as festas.
Roma antiga, 1000 a.C.

Para homenagear Saturno, deus da agricultura, os romanos faziam a Saturnália. Durante a festa, escolas não abriam, escravos eram soltos e o povo ia às ruas, onde um carro alegórico em forma de navio abria caminho na multidão fantasiada. Na Idade Média, o Carnaval era chamado de "festa dos loucos". No Renascimento, ganhou força na Itália, França e Portugal, países onde surgiram o pierrô, a colombina, o confete e a serpentina.

FESTA JUNINA
Europa, séc. 4

Na Europa medieval, o início das colheitas era comemorado em junho, quando as pessoas faziam fogueiras para espantar maus espíritos. Os festejos aconteciam na mesma época que as solenidades joaninas, em homenagem ao dia de são João. Com o tempo, os eventos se fundiram. No Brasil, a festa junina chegou no século 16, trazida pelos jesuítas.

Ritos pessoais de passagem
Pouco importa se a pessoa é religiosa ou não. A vida sempre é marcada por passagens de fases.

CASAMENTO
Juntar as escovas de dentes é um costume bastante globalizado.
Diversas origens

A cerimônia é herança dos romanos, mas a aliança é contribuição dos egípcios. Para eles, o anel, por não ter começo nem fim, simboliza a eternidade. Já o costume de jogar arroz é chinês e significa desejo de fartura. O buquê é grego e, reza a tradição, protegia as noivas do mau-olhado das solteironas. Durante muito tempo, as noivas se casavam de vermelho, cor do amor. Só no século 19 o branco foi adotado. A rainha Vitória, do Império Britânico, escolheu se casar de branco, por ser a cor da pureza. Outra moda lançada por ela foi a Marcha Nupcial, de Felix Mendelssohn.

BAILE DE DEBUTANTES
França, séc. 18

O termo début designava atores que estreavam na carreira. Com o tempo, o termo passou a ser usado para se referir a moças que entravam na vida social. Famílias ricas da França faziam festas em que apresentavam as filhas à sociedade. A partir de então elas estavam aptas para frequentar eventos.

CIRCUNCISÃO
Israel, 1300 a.C.

A circuncisão é um sinal visível da aliança invisível entre Deus e a humanidade. Há divergências quanto à origem, mas historiadores especulam que os hebreus teriam se inspirado nos egípcios ou nos etíopes ao adotar a prática. A remoção do prepúcio do bebê é um preceito judaico seguido até hoje.

BATISMO
Israel, 4000 a.C.

A imersão em água como sinal de purificação está presente em várias culturas. Judeus cumpriam o rito para admitir aqueles que abandonavam suas crenças para abraçar o judaísmo. Hindus usam até hoje o rio Ganges, na Índia, para se purificar. E muçulmanos fazem ablução (lavagem sagrada) antes de rezar. No catolicismo, além do batismo, água benta é usada como sinal de fé.

TROTE
França, 1342

O primeiro trote de que se tem notícia foi em 1342, na Universidade de Paris. Na época, calouros não frequentavam as mesmas salas que os veteranos e, por isso, tinham que assistir às aulas dos vestiários. Em 1491, na Universidade de Heidelberg, na Alemanha, os novatos tinham o cabelo raspado e ainda bebiam vinho com urina. O termo "trote" se refere ao andar do cavalo, ritmo entre a marcha lenta e o galope. Assim como o cavalo aprende a trotar, o calouro deve aprender a se comportar na universidade.

Fontes Ahmad Mazloum (xeique do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu); Antônio Zuin, educador da UFSCar; Carlos Engemann, historiador da UFRJ; Daniel Justi, teólogo da PUC-Rio; Fernando Loureiro, historiador da USP; Joachim Andrade, antropólogo da PUC-SP; José Carlos Rodrigues, antropólogo da PUC-Rio); Maria Laura Cavalcanti, antropóloga da UFRJ; Michel Schlesinger (rabino da Congregação Israelita Paulista); Paulo Fraga, educador da Unifal-MG; Pedro Funari, arqueólogo da Unicamp; Ricardo Sayeg, historiador da USP.

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