Cadê os negros e índios da São Paulo Fashion Week?

Postado por Instituto Mídia Étnica em 16 junho 2011 às 15:00

Em 2008, o Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar uma possível discriminação racial na São Paulo Fashion Week (SPFW). À época, apenas 3% dos modelos que participavam do evento eram afrodescendentes, negros ou indígenas. Meses depois, a organização da SPFW aceitou assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que se comprometia a estimular as grifes a cumprir uma cota de 10% desses modelos por desfile. O TAC funcionou bem... até o mês passado, quando “vencia” sua validade. Com o fim da obrigatoriedade de o evento promover as cotas, o que se viu nas passarelas foi uma nova onda branca. A denúncia foi feita hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, em matéria de Nina Lemos e Vitor Angelo. Algumas grifes, segundo eles, tinham apenas uma modelo, que se repetia em todas: a top Bruna Tenório, descendente de indígenas. Outras “até colocaram” alguns negros, mas longe dos 10% estabelecidos pelo MP.

Mas o pior de tudo são as justificativas para não empregá-los. Uma delas é a falta de mão de obra no mercado. É, de fato, a população afrodescendente nem é a maioria do país, deve ser difícil mesmo encontrá-los... Outra desculpa é o pouco poder aquisitivo dos negros. “Os negros no Brasil, por razões históricas, são pobres e não consomem moda. Por isso, as marcas não querem associá-lo aos seus produtos”, declarou à reportagem o booker Bruno Soares.

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